A verdadeira história do Dilúvio Universal

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gilgamesh

Os sumérios descreveram a história do dilúvio universal milhares de anos antes dos abraâmicos desenvolverem o Antigo Testamento que hoje lemos na mitologia bíblica. A narração foi descrita em tabletes de argila por letras cuneiformes. Elas nos contam que após os Deuses  An, Enlil, Enki e Ninhursaja, haverem criado os cabeças preta, ou seja, os sumérios, e toda espécie de grãos, árvores frutíferas e plantas, receberam o anúncio de que uma catástrofe aniquilaria a vida na Terra, e todos os seres uma vez criados por eles, seriam mortos perante tamanha força da natureza.

Foi então que o Deus Enki, preocupado com o futuro da humanidade, foi ter com seu filho Ziusudra, um homem feito, casado e que vivia numa vila com seus filhos e o povo. Ziusudra não sabia que o Deus Enki era seu pai, e portanto o encontro teria sido às escondidas, de maneira que Enki permaneceu do lado de fora de sua tenda, sem que pudesse ser visto, enquanto lhe transmitia instruções de sobrevivência durante a madrugada. O Deus então recomendou a seu filho que construísse uma arca e que a impermeabilizasse com piche. Disse a ele que levaria nesta arca as sementes da humanidade e dos animais.

Ziusudra obedeceu ao Deus que aparecera misteriosamente enquanto todos dormiam. Quando a grande tempestade se abateu sobre a Terra, Ziusudra e sua família sobreviveram, e ao alcançarem terra firme, assaram carne de ovelhas e louvaram a Deus por sua sobrevivência.

Leia o texto original: A História do Dilúvio

Segundo a mitologia suméria, o Deus Utu, representado pelo sol, nascido no mês de Agosto, e, portanto, sendo o rei Leão da Tribo de Judá que inspirou o personagem bíblico Davi, pousa sobre a arca de Ziusudra como um raio de sol para anunciar o fim da tormenta. Uma maneira poética de descrevê-lo.

Quem foi Ziusudra

O filho de Enki, Ziusudra, pode ser reconhecido na bíblia como Noé. Segundo o livro de Enoque, quando a esposa de Lameque encontrou dificuldades para engravidar, seu sogro Enoque, a teria levado para ter com Deus. Este Deus teria lhe dado a graça de carregar um bebê em seu ventre, mas quando este nasceu, tinha uma aparência estranha, pois não se parecia com o seu povo. Seus cabelos eram brancos, sua pele radiante, e seus olhos eram azuis da cor do céu. Lameque foi logo ter com seu pai, pois suspeitava que aquela criança, fruto do ventre de sua esposa, era filho de um deles, segundo suas palavras, ou seja, de um Deus. Enoque por sua vez,  aconselhado por Deus, o teria dito para que ficasse tranquilo, pois que aquele era sem dúvida seu filho.

Lameque então se convenceu disto, e o batizou Noé.

Gilgamesh

Logo após o dilúvio, as comunidades ao Sul da Babilônia, onde se localizava a Suméria, ficaram em luto. Desolados, sem alimento e com dificuldade para se restabelecerem, passaram a ser atacados por povos vizinhos. Os acádios investiram diversos ataques sobre o povo sumério, até que os dominaram completamente. Com o passar dos anos, a versão mitológica dos sumérios foi adotada pelos acádios e desta influência surgiu os contos e aventuras sobre Gilgamesh.

Embora seja descrito que Gilgamesh teria existido como um rei do fim do segundo período monástico da Suméria, os poemas que o fizeram famoso, não passam de alegorias criadas para enaltecer a sua imagem política, pois muito do conteúdo descrito na “Epopeia de Gilgamesh”, não passam de contos inventados, baseados na mitologia antiga dos cabeças preta.

O abismo descrito nas aventuras de Gilgamesh e Enkidu, seu companheiro, foram baseadas nas experiências dos deuses sumérios Inanna e Ningizida, que após perderem tragicamente um ente querido, Damuzi, se entregaram ao luto e à completa desolação. Enquanto isso,  na versão diluviana de Gilgamesh, que foi baseada na versão suméria de Ziuzudra, temos Utnapistim, o grande sábio sobrevivente do dilúvio.

Para os estudiosos Gilgamesh foi capaz de manter viva a tradição dos deuses através de seus contos e poemas.

Noé

O personagem bíblico Noé, por sua vez, teve a sua origem baseada na versão suméria da história, que tem como personagem o filho do Deus Enki, Ziuzudra. Mas contou também, com a influência acadiana para compor poeticamente sua versão abraâmica, com requintes de uma proposição política que enaltece uma única raça como a judia.

A concepção de Noé não é descrita na bíblia, mas sim no livro de Enoque, cujo texto é considerado apócrifo. O termo apócrifo indica uma falsidade ideológica conferida por aqueles que compilaram a bíblia. Mas para os estudiosos, todos os textos antigos devem ser tratados com exímio comprometimento ético e responsabilidade literária, ou seja, os tidos como apócrifos pelos cristãos, podem ser tão valiosos, e até mais contundentes, do que os textos considerados sagrados. Estes textos completam a história bíblica, e abrem espaço para a reflexão.

Então, Noé teria nascido do contato entre o Deus e a nora de Enoque. Deste contato teria sido concebido o menino escolhido para salvar a semente da humanidade durante uma tremenda catástrofe que assolaria toda a terra, assim como Ziuzudra.

O Lamento de Urim

O tablete sumério sob o título ” O Lamento de Urim”,  traduzido pela Universidade de Oxford nos traz um ponto de vista dos sobreviventes da grande catástrofe. O modo como a dor e o sofrimento que se abateu sobre todos aqueles que ali viviam em casas e templos construídos com tijolos, que possuíam um curral para vacas, um local para armazenamento de ferramentas, escolas, e plantação, não deixa dúvidas de que uma grande tempestade aconteceu, e devastou toda a terra em que viviam.

O autor também faz menção ao abandono dos Deuses, que teriam desaparecido por detrás das montanhas. Trata dos constantes ataques e saques dos povos sobre seus templos. Declara que a cidade de Urim teria sido tomada por lágrimas, e implora pelo fim dos tempos de lamentação.

 “Porque havia amargura na minha terra,  a terra em que eu havia marchado como uma vaca para o seu bezerro. Minha terra não foi libertada do medo. Porque havia amargura aflição em minha cidade, eu bati minhas asas como um pássaro do céu e voei para a minha cidade, e minha cidade foi destruída em suas fundações, e Urim pereceu onde estava. Porque a mão da tempestade apareceu acima, eu gritei e gritei “Volta, ó tempestade, para a planície”. O peito da tempestade não voltou.”

Tablete: O Lamento de Urim – 101/111.